Na escola aprendemos que precisamos entender o passado para compreender o presente e projetar o futuro. O negro desde criança tem consciência das dificuldades que irá passar em função da sua cor, mas é no decorrer da vida que percebemos que o passado está enraizado no presente e o quanto isso irá influenciar nosso dia-dia. É inegável a existência do preconceito racial na sociedade brasileira e mais evidente ainda que esse preconceito assombra também o mundo empresarial dificultando as ambições da vida profissional dos afro-descendentes. Segundo Fernando Henrique Cardoso “As práticas racistas após a abolição são ativadas pelas ameaças reais e imaginárias feitas pelos negros à estrutura de privilégios sociais dos brancos.”
Os negros após serem libertados tornam-se uma ameaça aos privilégios dos brancos, daí surge a função social do racismo e da discriminação: Projetar a sociedade dominante. Compreendendo adequadamente o mecanismo do racismo podemos enfatizar as palavras de Stanislav Andreski “Uma vez que uma superposição bem definida de raças passa a existir, cria-se uma situação que é bastante racional para seus beneficiários tentar perpetuá-la.”
Atualmente é o que acontece com a classe dominada, aqueles que não suportam a forte imposição social do racismo no mercado de trabalho ficam a mercê de oportunidades abaixo da sua qualificação real. André Oliveira de 43 anos, comenta que ao longo da carreira, trabalhou em diversas multinacionais. Numa delas, foi assessor da presidência. "Sentia que meu prestígio e competência eram questionados e invejados pelos outros executivos", diz. "Um dia, pararam uma reunião e perguntaram se eu tinha sido adotado por ingleses. Como eu podia ser negro, brasileiro e ter inglês fluente?".
Esse tipo de comportamento da sociedade em geral barra o desenvolvimento intelectual da elite negra no Brasil, pois só os mais persistentes negros conseguem transpor tal imposição social, enquanto alguns brancos não precisam ultrapassar barreiras iguais a essa.
Alexandra Vargas Machado
Alexandra Vargas Machado
Fonte: Carlos Hasenbalg em Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil. Prefácio de Fernado Henrique Cardoso

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