Powered By Blogger

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O gaúcho que condena a diversidade étnica

Dias após um norueguês cometer uma barbárie em defesa da raça pura, encontramos na Zero Hora de 31 de julho de 2011, mais precisamente na pagina 12 do editorial, um simpatizante gaúcho da teoria de divisão das raças... Para quem ingenuamente acredita que o Brasil, fruto da diversidade racial encontra-se imune transcrevo aqui o comentário do ilustre leitor de Porto Alegre.

“Acredito que a diversidade cultural é um problema , sim, pois cada etnia pensa de uma maneira. É só ver onde as cidades têm uma colonização só, que tudo é mais organizado como limpeza, saúde e educação. Não é uma questão de apoiar Hitler ou a xenofobia. O Japão é um exemplo onde todos se uniram mais recentemente na tragédia do terremoto e depois da segunda guerra.” Eduardo Chittolina – Porto Alegre – RS

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Morre Abdias Nascimento, um revolucionário.

Uma terça-feira de luto pela morte de Abdias Nascimento, que travou uma eterna batalha pela igualdade racial. Todos nós que hoje, por vezes, nos sentimos mais valorizados devemos a Abdias Nascimento por sua incansável resistência à discriminação, determinação e coragem em trabalhar efetivamente em prol da nação afro-brasileira.  Com diversas obras publicadas o economista foi pioneiro em projetos de políticas afirmativas.

Após ser exilado durante 12 anos nos Estados Unidos, por ser perseguido e alvo de diversos processos fruto da sua luta, recebeu em 2006 um reconhecimento importante, a maior honraria já outorgada pelo governo brasileiro.

Ativista, revolucionário, defensor dos direitos humanos foi indicado para o prêmio Nobel da Paz em 2010.






Alexandra Vargas Machado

terça-feira, 19 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pedagogia da Raça

A Pedagogia da Raça

Indo além da limitação geografica indicada por Abdias no livro "O genocídio do negro brasileiro", onde acusa aberta e claramente o Brasil de racismo, eu irei ainda mais longe, acuso o mundo de racismo. Infelizmente é com amargura e dor que saliento as palavras do líder negro para mostrar, diante dos últimos acontecimentos que não foram totalmente ignorados pela mídia brasileira, que nada mudou. Abdias na sua coerente acusação, refiria-se a discriminação racial dissimulada e negada na retórica, porém firme e eficaz na sua prática de exclusão.
O inicio de 2011 foi tragicamente marcado por atitudes racistas vindas do mundo todo, poucas resultaram em punição dos agressores, nenhuma foi condenada pela mídia, com a seriedade que deveria. Crianças, adolescentes e adultos negros vivem suas vidas no anonimato e são vitímas de racismo diariamente. Alguns crescem ouvindo que não poderam fazer isso ou aquilo, por causa da sua cor ou do seu cabelo. Outros sabem que precisaram ser mais fortes e melhores que todos para alcançar o sucesso que dejesam. Essa é a pedagogia da raça, que ensina desde cedo quem poderá chegar ao topo e quem será publicamente ou não humilhado. Somos nós que lemos as pichações nas ruas onde alguns dizem que negros não devem jamais sair das cozinhas das universidades, como aconteceu em Porto Alegre no ano passado. Somos nós que fomos amarrados pelo pescoço como animais em uma blitz policial como foi flagrado em 1983. Foram as nossas origens e a nossa raça que foi moralmente e publicamente ofendida quando ofederam  Preta Gil, Roberto Carlos e tantos outros esquecidos ao longo do tempo. São os nosso pais que precisam estar atentos ao que nos é ensinado, ao que algumas pessoas pensam de nós. O que precisamos de forma emergente é abrir esse debate e não deixar calar a voz do negro oprimido, pois o país que tanto amamos, nos envergonha e maltrata e enquanto isso apenas uma pertinente pergunta ainda clama por respostas: Por que nos importuna?

Alexandra Vargas Machado

segunda-feira, 28 de março de 2011

O mundo é racista ou os racistas dominaram o mundo mais uma vez?

Algumas pessoas consideram o meu blog "forte demais", e talvez seja mesmo, pois o tema é emergencial. Nós não temos mais condições de tratarmos o assunto com suavidade.
Alexandra Vargas Machado

quarta-feira, 23 de março de 2011

Alguém disse que racismo não existe?


A postagem dessa foto não tem objetivo de discutir a política de cotas, mas será que o autor dessa frase, pichada em uma rua de Porto Alegre em 2010, tem esse objetivo ou ele pretende colocar "cada um no seu lugar", conforme suas próprias convicções?

Alexandra Vargas Machado

sábado, 19 de março de 2011

"Ele é perfeito! É loiro, carinhoso, médico... "

Hoje ao chegar em casa, fiquei literalmente de bobeira no sofá, fuçando na internet entre um joguinho e outro em um desses sites de relacionamentos. Algumas vezes dava uma olhadela para televisão, e meus ouvidos continuavam atentos. Assisti, dessa maneira, na TV aberta, do Jornal Nacional ao tão odiado BBB11, e de repente escutei de uma integrante do programa,  Maria, a seguinte frase se referindo a um dos seus colegas Reality Show: "Ele é perfeito! É loiro, carinhoso, médico...” Ela estava se referindo ao Wesley. Será que Maria sabe o que ela disse? Sim, o que ela disse é que ser loiro é ser bonito, ser carinhoso é um atributo à parte e ser médico é ter uma profissão. Deixamos claro, Wesley é um homem bonito, no entanto, ser loiro é sinônimo de beleza? Eu já havia escutado isso em outras ocasiões... "Fulaninha é lindinha, loirinha". Esse comportamento é passado quase que instantaneamente de geração para geração... Poderíamos pensar: Mas o que Maria disse não afeta ninguém, existem coisas piores acontecendo no mundo. Eu suplico, o que Maria disse afeta a vaidade e a auto-estima de nossos adolescentes negros, nossos índios, e  além disso é uma semente plantada mesmo que seja sem intenção. O que Maria disse, é o que algumas pessoas dizem aí na rua. Ela falou para milhões de brasileiros na TV, no canal aberto onde a grande maioria da população esta ligada. Essa é a herança cultural recebida por ela, que pode ser considerada uma influencia da sociedade ou não. Isso não significa que Maria seja racista literalmente, mas fica claro e evidente que ela no mínimo reproduz um comportamento aprendido. E para que esse comportamento acabe precisamos repreender. Infelizmente não é só uma Maria, equivocada na maneira de se expressar ou pensar, existem na frente da televisão várias outras "Marias vai com as outras".

Alexandra Vargas Machado

terça-feira, 1 de março de 2011

Essa não é apenas nossa História, mas é a nossa luta.

"Entre 1890 e 1914, mais de 1,5 milhão de europeus chegaram ao estado de São Paulo, 64% com passagem paga pelo governo estadual. No entanto, estigmatizados não apenas como desqualificados , mas também como perigosos e desordeiros, os homens negros foram praticamente excluídos do novo mercado de trabalho."

Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial
Demétrio Ribeiro

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aos olhos de um racista: "Todo negro rico é um mulato, todo mulato pobre é um negro."

 
Na escola aprendemos que precisamos entender o passado para compreender o presente e projetar o futuro. O negro desde criança tem consciência das dificuldades que irá passar em função da sua cor, mas é no decorrer da vida que percebemos que o passado está enraizado no presente e o quanto isso irá influenciar nosso dia-dia.  É inegável a existência do preconceito racial na sociedade brasileira e mais evidente ainda que esse preconceito assombra também o mundo empresarial dificultando as ambições da vida profissional dos afro-descendentes. Segundo Fernando Henrique Cardoso “As práticas racistas após a abolição são ativadas pelas ameaças reais e imaginárias feitas pelos negros à estrutura de privilégios sociais dos brancos.”  
Os negros após serem libertados tornam-se uma ameaça aos privilégios dos brancos, daí surge a função social do racismo e da discriminação: Projetar a sociedade dominante.  Compreendendo adequadamente o mecanismo do racismo podemos enfatizar as palavras de Stanislav Andreski “Uma vez que uma superposição bem definida de raças passa a existir, cria-se uma situação que é bastante racional para seus beneficiários tentar perpetuá-la.”
Atualmente é o que acontece com a classe dominada, aqueles que não suportam a forte imposição social do racismo no mercado de trabalho ficam a mercê de oportunidades abaixo da sua qualificação real. André Oliveira de 43 anos, comenta que ao longo da carreira, trabalhou em diversas multinacionais. Numa delas, foi assessor da presidência. "Sentia que meu prestígio e competência eram questionados e invejados pelos outros executivos", diz. "Um dia, pararam uma reunião e perguntaram se eu tinha sido adotado por ingleses. Como eu podia ser negro, brasileiro e ter inglês fluente?".
Esse tipo de comportamento da sociedade em geral barra o desenvolvimento intelectual da elite negra no Brasil, pois só os mais persistentes negros conseguem transpor tal imposição social, enquanto alguns brancos não precisam ultrapassar barreiras iguais a essa.
Alexandra Vargas Machado




Fonte: Carlos Hasenbalg em Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil.  Prefácio de Fernado Henrique Cardoso

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Racismo passa de Pai para Filho, como Herança Cultural.

"Em segundo lugar, os resultados dessas pesquisas mostram que negros e mestiços (pessoas de cor preta e parda, na determinação oficial do IBGE) estão expostos a desvantagens cumulativas ao longo de todas as fases do ciclo da vida, e que essas desvantagens são transmitidas de uma geração para outra."

Discriminação e Desigualdades Sociais no Brasil - Carlos Hasenbalg

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

É explícito no Brasil em 2011

Em 09 de fevereiro de 2011, é possivel encontrar na internet uma reportagem referente ao racismo sofrido pelo jogador de volei da Super Liga Masculina, Deivid, na partida entre Londrina e São Bernardo. Não era uma pessoa que atacava verbalmente o jogar na ocasião, era um grupo. Infelizmente essa postagem é apenas um complemento ao texto "manifesto" (que você pode ler logo abaixo), e o caso do Deivid é apenas mais um entre tantos que ocorrem diariamente. Felizmente o jogador tem o amparo do seu clube, dos colegas do São Bernardo e o caso não permaneceu apenas em sua mémoria, caindo no esquecimento, pois o boletim de ocorrência foi devidamente registrado. Aos racistas, nós negros, informamos que preferimos assim, racismo explícito, pois é dessa maneira que podemos nos defender...


Alexandra Vargas Machado

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Entregando-se

Eu não sei se felizmente ou infelizmente os acontecimentos da vida não batem a nossa porta pedindo licença para entrar e se instalar educadamente. Se assim fosse podíamos claramente, determinar o momento exato que gostaríamos, por exemplo, de viver aquela paixão arrebatadora.  Dizer educadamente para esse sentimento sublime: Não é nada com você não, mas o momento agora não é oportuno, muito pelo contrário é conturbado demais. Você poderia, por obséquio, retornar em três ou quatro meses? Ou então na próxima estação, antes da primavera? Se assim fosse a tarefa de organizar a nossa vida seria menos árdua do que atualmente é. Ou será que essas coisas acontecem para que possamos ás vezes, jogar tudo para o alto e deixar o rio correr de forma livre e despreocupada, pois as rédeas do nosso futuro não nos pertence mesmo... De qualquer forma aquela inexplicável paixão nem se dará ao trabalho de bater na porta. Ela irá entrar e sentar-se na sua sala de estar como se a casa sempre houvesse lhe pertencido e não vai existir argumentação que consiga convencer a desavergonhada a ir embora, por mais que você argumente e explique que ali não existe lugar para mais ninguém. Serão meses com um hospede não bem vindo e os próximos dias se tornaram uma tortura por que você rapidamente estará na condição de escravo desse sentimento... Um sentimento que transformará sua vida m uma montanha russa de emoções e por fim, quem sabe, se tornará bom pra você.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Manifesto

Todo negro, como eu, sabe como é repugnante o gosto do preconceito racial. Nós sabemos que não basta sermos eficientes, polidos ou qualificados, sempre será necessário mais, para que a barreira do preconceito não nos impeça de chegarmos onde desejamos. Todo negro, como eu, tem em mente que a luta travada há séculos atrás ainda não terminou. Essa luta jamais irá cessar enquanto houver um preto qualquer em algum lugar do mundo sofrendo preconceito racial.
Sabemos que o Brasil é a terra da fantasia dos afro-descendentes, onde muitos fingem não haver discriminação e outros tantos amenizam seu impacto. A ilusória abolição em 13 de maio não desmistificou a cultura que muitas vezes se propaga em grupos declaradamente racistas e o passar do tempo apenas encobriu a escravidão ainda existente, embora modernizada. É fato que alcançamos muitas vitórias, acontecimentos históricos, como um negro na presidência dos Estados Unidos, têm nos comprovado isso. Entretanto, nossos descendentes não devem tomar-se por satisfeitos em ocupar a base da pirâmide em diversos contextos sociais ao invés da senzala, ou seja, os pretos precisam firmemente angariar cargos mais elevados nas organizações, pois a modernização da escravidão não pode saciar um povo dizimado durante séculos.
Infelizmente não existe uma maneira eficaz de comprovar esse tipo de crime no mercado de trabalho. Contudo, não é muito difícil constatar que se esse ato deplorável existe na sociedade, as empresas não estão imunes.
Alexandra Vargas Machado

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O mundo empresarial
Hierarquia – Significa que poucas pessoas podem fazer coisas, às vezes ilegais, que a grande maioria não pode fazer.
Subcontratado – É aquela empresa que faz o que teu o chefe não tem competência para fazer.
Subordinado – É aquele que faz tudo que o chefe não pode fazer, por falta de tempo, porque ele chega às 10h, tem duas horas de almoço e termina o expediente por volta das 16h.
Colega de Trabalho – É a pessoa que fala para o seu chefe tudo que você faz de errado.
O chefe do chefe – É a pessoa para quem você faz os relatórios que entrega ao teu chefe.
Reunião – É o momento em que todos do escritório se reúnem para falar o quanto estão esgotados de trabalho e depois voltam aos seus lugares para resolver suas atividades e dar andamento nos processos.
Contra-cheque – É um documento que você recebe todo final de mês e onde se por ventura você verificar algum erro não vai comentar com ninguém, afinal de contas você não quer “chatear” os colegas do RH.
Banco de Horas – É o lugar onde ficam as horas trabalhadas que não serão pagas, porque você fez um acordo de livre e espontânea vontade com a empresa que você trabalha.
Escala de final de semana – É o dia que você deveria estar descansando, foi escalado para trabalhar e não será pago por isso, pois essas horas irão diretamente para o banco de horas.
Elogio – O elogio vem quando você faz um excelente trabalho e não vai ser recompensado financeiramente por isso.
Qualquer semelhança com alguma empresa que você conheça é mera coincidência...
Alexandra Vargas Machado

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Todo brasileiro, mesmo alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo (...) a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro (...) Na ternura, na mínica excessiva, no catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos quase todos a marca da influência negra.  

Casa-grande e Senzala, Gilberto Freyre.