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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aos olhos de um racista: "Todo negro rico é um mulato, todo mulato pobre é um negro."

 
Na escola aprendemos que precisamos entender o passado para compreender o presente e projetar o futuro. O negro desde criança tem consciência das dificuldades que irá passar em função da sua cor, mas é no decorrer da vida que percebemos que o passado está enraizado no presente e o quanto isso irá influenciar nosso dia-dia.  É inegável a existência do preconceito racial na sociedade brasileira e mais evidente ainda que esse preconceito assombra também o mundo empresarial dificultando as ambições da vida profissional dos afro-descendentes. Segundo Fernando Henrique Cardoso “As práticas racistas após a abolição são ativadas pelas ameaças reais e imaginárias feitas pelos negros à estrutura de privilégios sociais dos brancos.”  
Os negros após serem libertados tornam-se uma ameaça aos privilégios dos brancos, daí surge a função social do racismo e da discriminação: Projetar a sociedade dominante.  Compreendendo adequadamente o mecanismo do racismo podemos enfatizar as palavras de Stanislav Andreski “Uma vez que uma superposição bem definida de raças passa a existir, cria-se uma situação que é bastante racional para seus beneficiários tentar perpetuá-la.”
Atualmente é o que acontece com a classe dominada, aqueles que não suportam a forte imposição social do racismo no mercado de trabalho ficam a mercê de oportunidades abaixo da sua qualificação real. André Oliveira de 43 anos, comenta que ao longo da carreira, trabalhou em diversas multinacionais. Numa delas, foi assessor da presidência. "Sentia que meu prestígio e competência eram questionados e invejados pelos outros executivos", diz. "Um dia, pararam uma reunião e perguntaram se eu tinha sido adotado por ingleses. Como eu podia ser negro, brasileiro e ter inglês fluente?".
Esse tipo de comportamento da sociedade em geral barra o desenvolvimento intelectual da elite negra no Brasil, pois só os mais persistentes negros conseguem transpor tal imposição social, enquanto alguns brancos não precisam ultrapassar barreiras iguais a essa.
Alexandra Vargas Machado




Fonte: Carlos Hasenbalg em Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil.  Prefácio de Fernado Henrique Cardoso

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Racismo passa de Pai para Filho, como Herança Cultural.

"Em segundo lugar, os resultados dessas pesquisas mostram que negros e mestiços (pessoas de cor preta e parda, na determinação oficial do IBGE) estão expostos a desvantagens cumulativas ao longo de todas as fases do ciclo da vida, e que essas desvantagens são transmitidas de uma geração para outra."

Discriminação e Desigualdades Sociais no Brasil - Carlos Hasenbalg

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

É explícito no Brasil em 2011

Em 09 de fevereiro de 2011, é possivel encontrar na internet uma reportagem referente ao racismo sofrido pelo jogador de volei da Super Liga Masculina, Deivid, na partida entre Londrina e São Bernardo. Não era uma pessoa que atacava verbalmente o jogar na ocasião, era um grupo. Infelizmente essa postagem é apenas um complemento ao texto "manifesto" (que você pode ler logo abaixo), e o caso do Deivid é apenas mais um entre tantos que ocorrem diariamente. Felizmente o jogador tem o amparo do seu clube, dos colegas do São Bernardo e o caso não permaneceu apenas em sua mémoria, caindo no esquecimento, pois o boletim de ocorrência foi devidamente registrado. Aos racistas, nós negros, informamos que preferimos assim, racismo explícito, pois é dessa maneira que podemos nos defender...


Alexandra Vargas Machado

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Entregando-se

Eu não sei se felizmente ou infelizmente os acontecimentos da vida não batem a nossa porta pedindo licença para entrar e se instalar educadamente. Se assim fosse podíamos claramente, determinar o momento exato que gostaríamos, por exemplo, de viver aquela paixão arrebatadora.  Dizer educadamente para esse sentimento sublime: Não é nada com você não, mas o momento agora não é oportuno, muito pelo contrário é conturbado demais. Você poderia, por obséquio, retornar em três ou quatro meses? Ou então na próxima estação, antes da primavera? Se assim fosse a tarefa de organizar a nossa vida seria menos árdua do que atualmente é. Ou será que essas coisas acontecem para que possamos ás vezes, jogar tudo para o alto e deixar o rio correr de forma livre e despreocupada, pois as rédeas do nosso futuro não nos pertence mesmo... De qualquer forma aquela inexplicável paixão nem se dará ao trabalho de bater na porta. Ela irá entrar e sentar-se na sua sala de estar como se a casa sempre houvesse lhe pertencido e não vai existir argumentação que consiga convencer a desavergonhada a ir embora, por mais que você argumente e explique que ali não existe lugar para mais ninguém. Serão meses com um hospede não bem vindo e os próximos dias se tornaram uma tortura por que você rapidamente estará na condição de escravo desse sentimento... Um sentimento que transformará sua vida m uma montanha russa de emoções e por fim, quem sabe, se tornará bom pra você.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Manifesto

Todo negro, como eu, sabe como é repugnante o gosto do preconceito racial. Nós sabemos que não basta sermos eficientes, polidos ou qualificados, sempre será necessário mais, para que a barreira do preconceito não nos impeça de chegarmos onde desejamos. Todo negro, como eu, tem em mente que a luta travada há séculos atrás ainda não terminou. Essa luta jamais irá cessar enquanto houver um preto qualquer em algum lugar do mundo sofrendo preconceito racial.
Sabemos que o Brasil é a terra da fantasia dos afro-descendentes, onde muitos fingem não haver discriminação e outros tantos amenizam seu impacto. A ilusória abolição em 13 de maio não desmistificou a cultura que muitas vezes se propaga em grupos declaradamente racistas e o passar do tempo apenas encobriu a escravidão ainda existente, embora modernizada. É fato que alcançamos muitas vitórias, acontecimentos históricos, como um negro na presidência dos Estados Unidos, têm nos comprovado isso. Entretanto, nossos descendentes não devem tomar-se por satisfeitos em ocupar a base da pirâmide em diversos contextos sociais ao invés da senzala, ou seja, os pretos precisam firmemente angariar cargos mais elevados nas organizações, pois a modernização da escravidão não pode saciar um povo dizimado durante séculos.
Infelizmente não existe uma maneira eficaz de comprovar esse tipo de crime no mercado de trabalho. Contudo, não é muito difícil constatar que se esse ato deplorável existe na sociedade, as empresas não estão imunes.
Alexandra Vargas Machado

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O mundo empresarial
Hierarquia – Significa que poucas pessoas podem fazer coisas, às vezes ilegais, que a grande maioria não pode fazer.
Subcontratado – É aquela empresa que faz o que teu o chefe não tem competência para fazer.
Subordinado – É aquele que faz tudo que o chefe não pode fazer, por falta de tempo, porque ele chega às 10h, tem duas horas de almoço e termina o expediente por volta das 16h.
Colega de Trabalho – É a pessoa que fala para o seu chefe tudo que você faz de errado.
O chefe do chefe – É a pessoa para quem você faz os relatórios que entrega ao teu chefe.
Reunião – É o momento em que todos do escritório se reúnem para falar o quanto estão esgotados de trabalho e depois voltam aos seus lugares para resolver suas atividades e dar andamento nos processos.
Contra-cheque – É um documento que você recebe todo final de mês e onde se por ventura você verificar algum erro não vai comentar com ninguém, afinal de contas você não quer “chatear” os colegas do RH.
Banco de Horas – É o lugar onde ficam as horas trabalhadas que não serão pagas, porque você fez um acordo de livre e espontânea vontade com a empresa que você trabalha.
Escala de final de semana – É o dia que você deveria estar descansando, foi escalado para trabalhar e não será pago por isso, pois essas horas irão diretamente para o banco de horas.
Elogio – O elogio vem quando você faz um excelente trabalho e não vai ser recompensado financeiramente por isso.
Qualquer semelhança com alguma empresa que você conheça é mera coincidência...
Alexandra Vargas Machado